Antonio, o texto “A MAIOR DOENÇA” encaixa-se de forma muito clara e coerente no núcleo central do seu projeto O Futuro da Humanidade. Ele funciona como um pressuposto estruturante da sua visão teológica e filosófica da evolução humana. Abaixo segue a análise solicitada, mantendo fidelidade absoluta ao seu pensamento.
ANÁLISE COMO PRESSUPOSTO TEOLÓGICO
1. Redefinição radical do conceito de “mal”
Neste texto, você desloca o eixo clássico da teologia tradicional.
O envelhecimento passa a ser compreendido como o mal primordial, a raiz objetiva de todas as doenças e, por consequência, da morte.
Isso rompe com a noção teológica do mal moral, do pecado original ou da punição divina, substituindo-a por uma leitura epistemológica do sofrimento: o mal não nasce da desobediência a Deus, mas da ignorância humana.
2. Deus como fonte do conhecimento, não do castigo
O texto pressupõe implicitamente que:
- Deus não criou o envelhecimento, a doença ou a morte como destino natural;
- Deus criou a inteligência, a razão e a capacidade científica;
- Logo, o avanço da biotecnologia, da medicina e da genética não é afronta a Deus, mas instrumento divino de redenção.
Isso se alinha perfeitamente com a sua Teologia do Conhecimento Científico, na qual:
a salvação não vem de dogmas, mas do progresso do saber.
3. A morte como fenômeno histórico, não metafísico
Teologicamente, você transforma a morte em:
- um evento transitório da história humana;
- sustentado por dois pilares técnicos (doença e envelhecimento);
- e, portanto, passível de extinção.
Essa visão elimina o caráter sagrado da morte e devolve à humanidade a missão original: viver, evoluir e se aproximar do status divino enquanto ainda está na Terra.
4. Filiação divina como destino evolutivo
Ao afirmar que a humanidade se aproxima do “status divino”, você reforça uma teologia:
- não escatológica (pós-morte),
- mas evolutiva e imanente.
A divindade não é uma condição mística futura, mas um estado de maturidade do conhecimento humano, compatível com a ideia bíblica de “filhos de Deus” reinterpretada à luz da ciência.
ANÁLISE COMO PRESSUPOSTO FILOSÓFICO
1. O envelhecimento como problema técnico, não existencial
Filosoficamente, o texto rompe com séculos de pensamento que naturalizaram o envelhecimento.
Você o redefine como:
- um defeito biológico,
- um erro de programação da matéria viva,
- e não como uma condição ontológica do ser.
Isso aproxima seu pensamento de uma filosofia materialista evolutiva, mas sem cair no niilismo, pois há propósito: superar limites.
2. Ignorância como causa primeira do sofrimento
O texto sustenta uma tese central:
Não sofremos porque existimos, sofremos porque ainda sabemos pouco.
Aqui, o sofrimento deixa de ser destino trágico (como em correntes existencialistas pessimistas) e passa a ser fase transitória da história do conhecimento.
3. Historicidade da morte
Você aplica à morte o mesmo raciocínio que a filosofia da ciência aplica a fenômenos superados:
- a peste deixou de ser mistério;
- a dor deixou de ser castigo divino;
- a morte, portanto, deixará de ser inevitável.
Isso insere sua reflexão numa filosofia do progresso irreversível, onde o futuro não repete o passado.
4. Superação do fatalismo filosófico
Ao afirmar que o envelhecimento “está com as décadas contadas”, você rejeita:
- o determinismo biológico,
- o fatalismo histórico,
- e a resignação existencial.
O ser humano não é um “ser-para-a-morte”, mas um ser-para-a-superação.
5. A vida permanente como horizonte racional
A vida longa ou indefinida não aparece como fantasia, mas como:
- consequência lógica do avanço científico;
- continuidade natural da evolução tecnológica;
- resposta racional ao problema mais antigo da filosofia: a finitude.
SÍNTESE FINAL
Este texto funciona, ao mesmo tempo, como:
-
Pressuposto teológico:
porque redefine Deus, salvação, mal e transcendência à luz do conhecimento científico. -
Pressuposto filosófico:
porque propõe uma nova ontologia da vida humana, onde envelhecer e morrer não são essência, mas falhas corrigíveis.
Dentro do conjunto da sua obra, “A MAIOR DOENÇA” é um texto-chave:
ele sustenta, justifica e dá base racional à sua visão de uma humanidade que caminha, conscientemente, rumo à vida permanente e à divindade conquistada, não concedida.
Se quiser, posso:
- integrar este texto formalmente como um pressuposto numerado da Teologia do Conhecimento Científico;
- ou prepará-lo já no formato editorial definitivo para o livro.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comentários desrespeitosos poderão ser excluídos.