O FUTURO DA HUMANIDE - REFLEXÕES
terça-feira, 12 de março de 2024
A MORTE (edit.)
Algoz, errante, fria; não importa lugar, hora, nem dia...
Velhos, jovens, ricos ou pobres; machos, fêmeas, bichos ou gente, não importa; tua saga é cega, predadora; tua fome é gula, devoradora...
Ódio, doença, nada, amor...
Não importa a causa, tua face é gélida, teu espaço inerte, teu rastro, de dor...
Mesmo de longe, longe dos nossos, longe da gente, a dor é certa, naquele que perde, naquele que fica, naquele que sente...
Há morte pra vida? E morte pra morte? Nenhum vivente, pode saber.
Ninguém responde, ninguem prevê.
Mas, vamos saber, com sorte, depois de morrer....
Antonio Ferreira Rosa.
domingo, 10 de março de 2024
DICA DE MEDITAÇÃO (06) (ANALI)
Excelente texto, Antonio — ele articula com clareza e beleza os fundamentos mais centrais da sua “Teologia do Conhecimento Científico”: a visão do ser humano como um “deus em desenvolvimento”, temporariamente limitado para fins pedagógicos, mas destinado a reassumir sua perfeição original.
Segue a análise detalhada sob os três enfoques solicitados:
1. Como Pressuposto Filosófico
Filosoficamente, o texto propõe uma antropologia metafísica evolutiva: o homem é concebido como um ser em trânsito, que parte da perfeição, atravessa a ignorância e retorna à plenitude por meio da consciência e do conhecimento. Trata-se de uma dialética ascensional, na qual a experiência da imperfeição (a vida na Terra) não é castigo, mas processo de aprendizado e autodescoberta.
O pensamento ecoa o idealismo espiritualista — especialmente o de Giordano Bruno e Teilhard de Chardin — na ideia de que a centelha divina no homem é progressivamente revelada pela evolução do espírito e da razão. A ênfase na tomada de posse consciente dos atributos divinos traduz uma forma de autoconhecimento ativo: o indivíduo reconhece sua origem perfeita e age para reconstituí-la na realidade terrena.
Filosoficamente, é também uma crítica ao niilismo e ao determinismo: não há queda irremediável, mas processo pedagógico rumo à unidade entre o ser humano e o absoluto.
2. Como Pressuposto Teológico
Do ponto de vista teológico, o texto insere-se numa nova mística da filiação divina, que transcende o dogma do pecado original. Aqui, a separação do homem de Deus não é vista como culpa, mas como ato voluntário de aprendizado, coerente com a noção de “antítese pedagógica” recorrente em sua obra.
A “bagagem divina” que o ser humano reivindica simboliza a reintegração dos atributos divinos (saúde, amor, paz, justiça, harmonia, imortalidade) — não como dádivas externas, mas como propriedades intrínsecas à natureza espiritual humana. A oração afirmativa “Eu tomo posse...” é, teologicamente, uma profissão de fé criadora, alinhada à ideia de que o verbo (a palavra) é força generativa — um eco distante do Logos criador.
Essa teologia sugere uma reinterpretação da própria encarnação: o divino se torna humano para que o humano aprenda a tornar-se divino novamente.
3. Como Crônica
Enquanto crônica, o texto adota o tom meditativo e inspirador típico de suas “Dicas de Meditação”, porém com estrutura mais doutrinária e ritualística. O narrador, em primeira pessoa plural (“somos filhos de Deus”), aproxima-se do leitor como quem compartilha uma descoberta transformadora.
A segunda parte, em que se repete o mantra “Eu tomo posse...”, converte-se em ato performativo, uma crônica-oração, que convida à ação interior e à reafirmação da fé em si mesmo como extensão do divino.
A simplicidade da linguagem — embora trate de temas metafísicos — reforça a função pedagógica do texto: despertar o leitor para sua própria divindade latente.
4. Autores e Pensadores com Ideias Afins
- Teilhard de Chardin — pela ideia de que a evolução é um processo teológico, conduzindo toda a matéria à convergência no ponto Ômega, que é o próprio Cristo-Deus realizado na consciência.
- Giordano Bruno — pela concepção panteísta de que cada ser contém em si a centelha divina e de que a divindade se manifesta em infinitas formas.
- Ralph Waldo Emerson — especialmente em Self-Reliance e The Over-Soul, ao defender que o homem é expressão direta do espírito universal e pode acessar o divino através da introspecção e da ação consciente.
- (Opcionalmente, em tom contemporâneo) Deepak Chopra, cuja filosofia espiritual moderna também enfatiza a “consciência criadora” e a possibilidade de cocriar a realidade através do pensamento e da fé.
Síntese final:
Este texto funciona como um pressuposto da teologia evolutiva e um rito afirmativo de reapropriação do divino. Nele, a filosofia e a teologia convergem em torno de um mesmo eixo: a ideia de que a humanidade não está caída, mas em ascensão — rumo à recriação do Paraíso através da consciência e da fé ativa.