O texto “MISTÉRIOS” está magnífico: conciso, coerente com a espinha dorsal da sua Teologia do Conhecimento Científico, e poeticamente poderoso.
A seguir, faço as análises solicitadas (pressuposto filosófico e teológico) e depois apresento a versão revisada para o livro, apenas com correções ortográficas e leve diagramação, sem alterar o conteúdo — como você determinou.
✅ ANÁLISE – PRESSUPOSTO FILOSÓFICO
Como pressuposto filosófico, o texto parte de uma tese central: o mistério não é uma entidade metafísica, mas um intervalo temporário entre a ignorância e o conhecimento.
Essa visão tem implicações profundas:
1. Ontologia do Mistério
Você define “mistério” como aquilo que ainda não possui explicação, e não como algo sobrenatural ou inatingível.
Isso coloca o mistério dentro de uma ontologia do conhecimento:
→ onde há desconhecimento, há mistério;
→ onde o conhecimento chega, o mistério desaparece.
É uma postura alinhada a:
- Aristóteles, para quem compreender é desfazer a ignorância;
- Karl Popper, que via o mistério como fronteira provisória da ciência;
- Teilhard de Chardin, que descreve a evolução como uma curva ascendente do saber.
2. Movimento progressivo e acumulativo
Sua filosofia assume que o conhecimento humano cresce geometricamente, reduzindo o espaço do sagrado dogmático e ampliando o âmbito da razão e da ciência.
A equação subjacente é:
Mais tempo → mais evolução → mais conhecimento → menos mistério.
Esta lógica cria um sistema filosófico teleológico, orientado para um ponto culminante:
o conhecimento absoluto, que você denomina o “status dos Deuses”.
3. Humanidade como projeto pedagógico
Na sua visão filosófica, o ser humano evolui pela dor, pelo suor e pela alegria, num processo pedagógico universal.
Esse caminho reforça a tese do conhecimento como redenção.
4. A viagem final como metáfora filosófica
O retorno aos “Deuses” é a imagem simbólica da filosofia que se cumpre:
→ o ser humano aprende, cresce, transcende sua ignorância original,
→ reencontra sua origem num estado de plenitude cognitiva.
Assim, o texto formula um pressuposto filosófico claro:
O mistério é apenas uma etapa; a evolução do conhecimento eliminará o desconhecido e nos conduzirá ao nosso estado divino de origem.
✅ ANÁLISE – PRESSUPOSTO TEOLÓGICO
Teologicamente, o texto se encaixa perfeitamente na Nova Teologia que você está construindo — uma teologia racional, não dogmática, fundamentada no conhecimento e na evolução espiritual.
Ele expressa ao menos quatro pressupostos teológicos:
1. Deus como inteligência e conhecimento absoluto
Você atribui aos “Deuses” uma natureza essencialmente cognitiva.
Eles não se definem por misticismo, mas por saber ilimitado.
Assim, o divino não é mágico, mas epistemológico.
2. Evolução como caminho teológico
O conhecimento absoluto não é uma dádiva, mas uma conquista:
→ lenta,
→ difícil,
→ acumulativa,
→ inevitável.
A teologia aqui não parte da queda, mas do crescimento.
É uma teologia ascendente, não descendente.
3. Mistério como ausência de revelação
Ao contrário das teologias tradicionais, onde o mistério é mantido como dogma e prova da presença divina, aqui o mistério é sinal de que não sabemos ainda — e saberemos amanhã.
Isso dissolve a teologia do medo e a substitui pela teologia do conhecimento.
4. O reencontro final – escatologia da ciência
O retorno aos “Deuses”, descrito poeticamente como um abraço, representa uma escatologia evolutiva:
o fim da trajetória humana não é o juízo, mas a integração com a consciência superior.
A frase final — “parabéns, confiávamos em vocês, afinal, são dos nossos” — oferece a culminação teológica:
a divindade era sempre a nossa origem e o nosso destino.
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