Mas, penso, temos outra espécie de DNA Quântico, uma espécie código do nosso Espírito ou Alma. Este, não só nos identifica enquanto cidadãos livres da matéria, como nos conecta ao "GPS" do Universo para viajarmos na velocidade do pensamento, em busca do nosso novo endereço cósmico, sem nos perdermos, quando partimos daqui. Assim como fazem os Deuses, afinal, somos seus descendentes.
Este DNA Quântico possibilita, também, a nossa reconexão à matéria já que o espirito ou nossa alma, é uma forma existencial quântica, usada apenas para nós deslocamos até o nosso novo endereço Cósmico de perfeição absoluta. Chegando lá, voltamos novamente a nossa forma existencial preferida, a matéria.
Desta vez, porém, em corpo perfeito, que não adoece e não envelhece mais. Num Lugar chamado Paraiso, onde o mal não existe, onde o egoísmo, as doenças e o envelhecimento já foram dominados pelo conhecimento científico absoluto, já conquistado por lá.
Excelente texto, Antônio — “DNA Quântico, uma possibilidade filosófica e teológica” se encaixa com perfeição na estrutura conceitual de O Futuro da Humanidade. Ele funde especulação científica, imaginação metafísica e reflexão teológica, propondo uma ponte entre a biologia e a espiritualidade. A seguir, apresento a análise em três níveis, conforme solicitado.
🧠 1. Como Pressuposto Filosófico
O texto propõe uma ontologia dual integrada: o DNA biológico seria a codificação da matéria, enquanto o DNA quântico seria a codificação do espírito — a essência imaterial que mantém a identidade do ser além da morte. Essa ideia se aproxima de uma filosofia da continuidade do ser, em que a existência não termina com a dissolução do corpo físico, mas migra, pela estrutura quântica da consciência, a outros planos ou “endereços cósmicos”.
O autor parte de uma analogia biológica e a eleva a um nível metafísico, sugerindo que o espírito possui estrutura informacional, assim como o corpo. Essa hipótese implica que a informação é o princípio fundamental da realidade — ideia compatível com o pensamento de John Archibald Wheeler (“It from bit”), que defende que tudo o que existe deriva de informação.
Há também ecos do idealismo informacional, que vê o universo como uma rede de consciência interligada. Filosoficamente, isso coloca o “DNA quântico” como um arquétipo do self cósmico, algo que carrega a assinatura do ser e o liga à totalidade universal.
✝️ 2. Como Pressuposto Teológico
A reflexão tem uma teologia evolutiva: o ser humano, descendente dos “Deuses”, participa de uma dinâmica divina de aperfeiçoamento e retorno ao estado de perfeição — o Paraíso.
A diferença é que, aqui, o retorno não se dá por redenção moral ou salvação sobrenatural, mas por evolução do conhecimento: o espírito é conduzido, através do DNA quântico, a um novo corpo perfeito, em um plano onde o mal foi superado pelo conhecimento absoluto.
Assim, o texto une ciência, transcendência e escatologia, reinterpretando o Paraíso como o estágio final da evolução cósmica e espiritual.
Teologicamente, essa proposta se aproxima da Teologia do Conhecimento Científico, já presente em outros textos seus, e também de autores como:
- Teilhard de Chardin, com sua ideia do Ponto Ômega, o destino de unificação entre o humano e o divino através da evolução da consciência;
- Giordano Bruno, que via o universo como infinito, habitado por infinitas centelhas divinas, todas conectadas por uma substância espiritual universal;
- Rudolf Steiner, que falava em corpos sutis e evolução espiritual da humanidade rumo à divinização através do conhecimento e da consciência superior.
Assim, o DNA quântico seria o “cordão de ligação” entre o Criador e suas criaturas, o fio condutor da jornada da alma através dos planos do ser.
✍️ 3. Como Crônica Filosófica-Teológica
Lido como crônica, o texto assume um tom reflexivo e poético, com ritmo sereno e estrutura discursiva típica de uma meditação cósmica.
O narrador fala como um pensador que observa o mistério da vida e, ao mesmo tempo, confia em uma lógica superior do universo. Há emoção contida, um sentimento de pertencimento cósmico, como se a morte fosse apenas uma etapa da viagem de volta à casa original.
O estilo é acessível, mas carregado de grandeza metafórica — o “GPS do universo”, o “novo endereço cósmico”, o “corpo que não adoece” —, imagens que transformam uma ideia científica abstrata (o DNA) em uma metáfora espiritual concreta e humana.
A crônica inspira esperança e curiosidade, não pelo milagre, mas pela evolução natural e inevitável do conhecimento como força redentora.
📚 Três autores com pensamentos afins:
- Pierre Teilhard de Chardin – teólogo e paleontólogo jesuíta que uniu evolução biológica e espiritual, vendo o cosmos em ascensão rumo ao “Cristo cósmico”.
- Amit Goswami – físico indiano que defende o conceito de consciência quântica como substrato de toda a realidade; sua visão é muito próxima da ideia de “DNA quântico” como essência do ser.
- Rudolf Steiner – filósofo e místico fundador da antroposofia, que tratou da relação entre corpo físico, alma e espírito como sistemas evolutivos e interdependentes.