Gostaria de lembrar, inicialmente, que as possibilidades aqui postas, são possibilidades apenas, nada mais. O fato de, hoje, eu pensar assim, não me transforma num convicto fundamentalista, fanático que pensa ser o dono da verdade. Frente a falta de explicações universais, indubitáveis para o tema, cada um tem o direito de pensar como quiser. Porém, entre todas as teologias que conheço e que pretendem explicar a questão do nosso destino após esta vida e, explicar a questão do MAL na vida dos seres humanos, optaria, sem dúvida pela minha. Vejamos como percebo esta realidade:
Existem leis universais que até Deus
respeita, pelo simples fato de fazer parte da sua natureza e constituição:
princípios do Direito, do amor, da ética, do BEM etc.. E, um destes princípios
refere-se à forma de “como os seres inteligentes adquire o conhecimento e a
aprendizagem”. É este princípio que fundamenta a minha tese. Vejamos em que
consiste o mesmo:
1 - “O conhecimento e a aprendizagem nos seres inteligentes só ocorre, e se
efetiva, pela comparação de um objeto, de um fato ou de uma realidade com seus
opostos ou antíteses”.
Exemplo: só aprendemos que branco é branco por comparação com o preto; só
aprendemos a conhecer o verde porque comparamos com o amarelo que por sua vez
comparamos com o vermelho e assim por diante; só conhecemos a claridade, a luz,
por comparação com a escuridão; só concebemos o espaço por comparação com a
matéria que o preenche em determinados lugares; só conhecemos o frio porque
vemos a diferença, quando comparamos ao calor. Assim, ocorre, absolutamente,
com todas as coisas e ou realidades.
Portanto, para conhecermos a alegria
e a felicidade eternas, isto é, o “PARAÍSO”, o BEM que herdaremos após esta
vida, há a necessidade de conhecermos, antes, a dor e o sofrimento, artificiais
e passageiros desta vida terrena. E, por isto e, para isto, estamos aqui.
2 - A realidade verdadeira é "espiritual" (lugar onde existe o
conhecimento absoluto) e, é a essência última de tudo, é o PARAISO se preferir
assim chamar. É um lugar onde existe a independência total das limitações
impostas pelo trinômio tempo x espaço x matéria que nos tornam falíveis,
limitados, perecíveis e mortais, aqui nesta vida. É um lugar onde o
CONHECIMENTO ABSOLUTO já existe, já foi conquistado pela ciência e o
conhecimento. Quem sabe por uma civilização cuja evolução esta há milhões de
anos a frente da nossa e que já tenha atingido, há muito, o CONHECIMENTO ABSOLUTO.
Portanto creio, a humanidade ao
partir desta vida terrena restabelece a consciência imediatamente, nesta outra
dimensão. Creio que aí, a forma de existência do "ser" (ou
consciência) pode não ser, necessariamente, material. Já que o conhecimento
absoluto permite esta possibilidade. O domínio, o conhecimento e a
possibilidade de interferência no TEMPO, no ESPAÇO e na MATERIA, que estamos
construindo através da ciência, tenho certeza, nos levará, também, até este
estágio de desenvolvimento (conhecimento absoluto).
Estágio este, que já existe em algum
lugar ou dimensão do universo. E que esta sendo replicado por nos, através da
nossa odisséia terrena; Talvez, para uma reciclagem acerca da percepção do BEM,
através das experiências que aqui temos com o MAL; Talvez, por sermos seres em
processo de criação e ainda não termos passado por este momento de aprendizagem;
Talvez, por estarmos fazendo parte de um “projeto de regressão” para o auto-descobrimento
de nós mesmos, ou de nossa origem.
3- A dimensão "espiritual" é única, não existe oposto ou antítese.
Inferno não existe muito menos demônios.
Pensemos também que, se a dimensão do BEM a "espiritual" a definitiva
e eterna, chamada PARAÍSO, tivesse uma dimensão oposta, uma antítese real e
antagônica, a do MAL, chamada INFERNO, não haveria necessidade de
"Deus" criar uma existência material, artificial e temporária para o
ser humano, para demonstrar o BEM, através da sua antítese, o MAL. A percepção
da diferença e a aprendizagem seriam apreendidas automaticamente dentro do
mesmo nível de existência, já que as duas realidades "espirituais"
seriam, naturalmente, opostas e contrastantes.
Não haveria necessidade de criar ou
de aprimorar seres, essencialmente "espirituais" e eternos, na forma
material, carnal; com existência temporária, como a nossa; sujeitos a todos os
tipos de falibilidades e sofrimentos; não haveria necessidade de passarmos
pelos traumas do nascimento e da morte física.
4 – O MAL não é eterno, não é transcendental, só existe nesta dimensão
material. É artificial, temporário e finito. Quando, abatidos por ele,
fecharmos os olhos nesta dimensão, abriremos na outra, na
"espiritual". O mal não tem existência eterna, é ilusório, é
artificial, Não transcende o mundo material. É como um filme projetado em uma
tela encerra-se a projeção, acaba-se a existência daquela realidade.
O MAL tem o propósito, EXCLUSIVO, de
tornar o BEM, o Paraíso, algo perceptível e evidente, através de um processo
pedagogicamente correto e, absolutamente, necessário (conhecer, o BEM, pela sua
antítese, o MAL).
5 – Foi delegada, também, ao próprio homem a responsabilidade pela promoção do
MAL nesta vida terrena. Através de um atributo da natureza humana chamado
egoísmo, o homem é capaz de promover com incrível competência, determinação e
impiedade, o mal para si próprio e ou para seus semelhantes.
Como não existem demônios para
promover o mal, coube ao próprio homem, à natureza e às fatalidades, fazê-lo.
Assim os grandes e pequenos tiranos e malfeitores da humanidade não estariam
fazendo nada mais do que cumprir uma espécie de missão. Afinal, não é fácil
promover uma guerra, um genocídio um assassinato ou outras algozarias
quaisquer.
Fazer o MAL pode ser uma missão
recebida, assim como fazer o BEM, também pode ser. O que importa é que nesta
vida todos, sem exceção, bons e maus, recebem a ação do mal, fato indispensável
para o cumprimento do objetivo da nossa odisséia na terra: conhecer a antítese,
o contraste do BEM, para que o mesmo se torne, plenamente, perceptível como
algo realmente fantástico.
Lembremos do primeiro principio: Só
podemos conhecer uma realidade através do conhecimento da sua antítese.
Antonio Ferreira Rosa.
Postado por Antonio Ferreira Rosa às 17:19